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Simpósios Temáticos


Estado, Poder e Economia no Brasil dos séculos XIX e XX

Coordenadores:
Ricardo Salles
Keila Grinberg
Théo Lobarinhas Piñeiro

Resumo:
O Simpósio visa apresentar estudos sobre a relação entre o Estado e a Economia, bem como as diversas instâncias de poder no Brasil nos séculos XIX e XX. Neste sentido, pretende acolher trabalhos que analisem as ações dos grupos sociais em sua insersão no aprelho de Estado e na esfera econômica, com ênfase nas agências geradoras de políticas visando atender aos interesses das classes e suas frações e o seu modo de atuação. Assim, acolherá também os trabalhos que discutam o pensamento econômico e político que represetem as demandas dos diversos grupos sociais.

Objetivo

Propiciar a discussão entre diversos trabalhos sobre escravidão e a construção do Estado imperial, em especial em relação a região da Bacia do Paraíba.

Justificativa

O Império do Brasil "aconteceu" historicamente a partir de movimento iniciado na Corte, enquanto centro político, cultural e moral, cuja principal base de sustentação foi a província e a praça do Rio de Janeiro. Tal base se constituiu com os grandes proprietários rurais escravistas, primeiro da Baixada Litorânea e Fluminense e, em seguida, da região de Serra Acima, especialmente do Vale do Paraíba. Da praça do Rio de Janeiro, com seus comerciantes de grosso trato, adveio a sustentação comercial e financeira. O concurso do Estado, articulado a estes grupos sociais, foi vital para assegurar o suprimento de mão-de-obra escrava necessário à expansão econômica nas áreas das Baixadas Litorânea e Fluminense, da Serra Acima, com a agregação de outras áreas da Bacia do Paraíba, sustentando a expansão imperial .

Relevância acadêmica

Entre 2003 e 2006, com o apoio da FAPERJ em seu programa de apoio aos Primeiros Projetos, desenvolvemos a pesquisa "Escravidão, Liberdade e Direito em Vassouras no século XIX. Redes de sociabilidade e ampliação de espaços de direitos da população escrava (c. 1845 – c. 1880)", posteriormente desenvolvida e ampliada no âmbito do Centro de Estudos do Oitocentos-CEO (Pronex). Em torno do projeto e da pesquisa, foram desenvolvidos mais de uma dezena de monografias e papers de seminários de pesquisa de graduação, dissertações de mestrado (UERJ, UNIRIO e USS), concluídas ou em curso, dois capítulos no livro Nação e cidadania no Oitocentos (org. José Murilo de Carvalho) de autoria de Keila Grinberg e Ricardo Salles, e o livro E o Vale era o Escravo. Vassouras – século XIX. Senhores e escravos no Coração do Império, de autoria deste último. O simpósio propiciará a discussão de todos estes trabalhos e agregará outros que tratem direta ou indiretamente com temas afins.

Programação:

04/08 - Segunda-feira - Tarde (14h às 16h)
  • Pedro Henrique Pedreira Campos
    As origens da internacionalização das empresas de indústria de construção brasileiras
    Atualmente, um dos setores mais dinâmicos e com maior presença internacional da economia brasileira é o da indústria de construção. Essa tendência remonta ao período da ditadura, quando a Mendes Júnior foi pioneira no processo de internacionalização, seguida por diversas outras empresas. Hoje, várias companhias do setor têm atuação no exterior, quais sejam: Norberto Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Correa, Mendes Júnior, Queiroz Galvão, OAS e outras. Para compreender esse processo de internacionalização das empresas, é necessário estudar a atuação delas durante o período ditatorial e também a presença das mesmas no aparelho de Estado, bem como sua influência nas políticas públicas no período. Levando-se em conta a recessão que dominou a economia brasileira à época da crise do “milagre” e a consolidação das empresas no final dos anos 1970, processo auxiliado por políticas estatais altamente benéficas ao setor, é possível explicar as incursões dessas companhias no exterior, caracterizando o setor como um dos mais poderosos do imperialismo brasileiro no início do século XXI.
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  • walter luiz carneiro de mattos pereira
    Companhia Nacional de Alcalis: caminhos e descaminhos de uma industria estatal.
    A Companhia Nacional de Alcalis, em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, passou por um longo processo de implantação em meio a entraves de natureza poítica, financeira e burocrática, até a completa instalação do seu parque fabril, inicialmente projetado em 1943, no Estado Novo, e concluído apenas no governo JK, com aportes de capital e tecnologia franceses. O trabalho busca identificar os meandros desse longo percurso, buscando analisar também os primeiros anos de funcionamento da empresa que coincidiram com momentos dramáticos do quadro político brasileiro, nos anos iniciais da década de 1960, especialmente a participação dos empregados da CNA, em debates sobre temas importantes como o nacionalismo econômico, e a consequente repressão da ditadura militar à ação política dos trabalhadores da empresa.

  • Monica Piccolo ALmeida
    GOVERNO FERNANDO COLLOR: NEOLIBERALISMO E PND
    O presente estudo propõe-se a analisar os fundamentos do Programa Nacional de Desestatização (PND) implementado ao longo do Governo de Fernando Collor, tendo como objeto principal de investigação o processo de privatização da USIMINAS.
    Parte-se aqui do pressuposto que as privatizações no Brasil estão inseridas em um processo maior de construção da hegemonia do projeto neoliberal no discurso e nas políticas públicas no Brasil de então. Para tal, o corpus documental será composto pelos discursos do Presidente Fernando Collor no momento de sua posse e ao longo de seu curto mas transformador governo e, principalmente, pelos relatórios do BNDES, agência reguladora do PND.

  • Leonardo Felizardo Ferreira
    Reforma ou Revisão Agrária? Uma análise do papel do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais (IPÊS) no processo de Reforma Agrária e Modernização da Agricultura
    Este tem por objetivo apontar os mecanismos, os instrumentos e as estratégias de atuação do IPÊS junto ao Estado, no processo de Reforma Agrária e Modernização da Agricultura pós 1964. Para tanto, pretendo calcar-me me no conceito gramisciano de Estado Ampliado. Desta forma, grupos pertencentes à sociedade civil disputam entre si a Hegemonia na afirmação de seu projeto político-econômico e dos valores a ele inerentes. Para isto, criam mecanismos de articulação/pressão junto à sociedade política e a outros setores da sociedade civil, e procuram dar um caráter unificador ao seu projeto, escamoteando as diferenças entre os grupos sociais envolvidos. O Estado, além de apresentar-se como lugar privilegiado na formulação do consenso, não se restringindo a medidas de caráter meramente coercitivo, expressa também os conflitos que perpassam a sociedade. Assim, o exercício da Hegemonia implica em lidar com estes conflitos de modo que o grupo dominante, para garantir sua direção junto às políticas estatais, tenha que abarcar também demandas de outros grupos. Portanto, é sob esta óptica que pretendo analisar a atuação do IPÊS, bem como o seu projeto para o mundo rural durante o processo de reforma agrária implementado através do pacto autoritário-modernizante sob a égide do Governo Militar.

05/08 - Terça-feira - Manhã (10h às 12h)
  • carlos alberto dias ferreira
    Francisco Paulo de Almeida - Barão de Guaraciaba: biografia de um negro no Brasil Império
    Francisco Paulo de Almeida - Barão de Guaraciaba, homem negro, advindo de classe não abastada, construiu sua riqueza no Vale do Paraíba Fluminense, no século XIX. eve casas na Corte, Fazendas em Valença, Três Rios, no RJ; Santa Fé em MG, e outras mais. Foi provedor da Santa Casa da Misericordia de Valença, empresário, capitalista, foi dono do Palacio Amarelo em Petropólis-RJ, recebeu em 1887 o título de Nobreza. Até a presente data é o único negro "retinto", feito barão no Brasil Imperial.
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  • Ricardo Salles
    Escravidão, classe e poder no Brasil do século XIX
    A apresentação analisa as conexões entre a ordem econômica e social escravista, exemplificada na região de Vassouras e na província do Rio de Janeiro, e a configuração do Estado imperial como base da dominação e hegemonia da classe senhorial, compreendida como formação histórica de âmbito nacional, primordialmente assentada na propriedade escravista. A partir de meados da década de 1860, houve uma alteração profunda na correlação material e demográfica de forças entre senhores e escravos em Vassouras. Diferentemente do que acreditava a maior parte da historiografia, a escravidão se estabilizou na região, e possivelmente em outros locais do Vale do Paraíba. Houve uma clara tendência – que até então não havia sido percebida em toda sua extensão – à reprodução natural positiva da população escrava. Fato que, no mínimo, estendia a perspectiva de permanência do regime servil até um futuro longínquo. Propõe-se substituir a imagem consagrada de uma escravidão que só se reproduzia via tráfico por outra: a de que esta dependência foi real enquanto o tráfico teve vigência. Uma vez extinto este último, processos de reprodução natural tendiam a se impor, ainda que em ritmos diferenciados. A aprovação da lei do ventre livre em 1871 impediu que este comportamento tomasse lugar plenamente.
  • Roberta Teixeira Gonçalves
    A fronteira da Guerra
    O objetivo dessa apresentação é analisar a historiografia do período de ocupação brasileira na região Cisplatina. Neste sentido, terei como recorte temporal o período que se estende da anexação, em 1821, até o fim da Guerra Cisplatina, em 1825, quando se forja o Estado Uruguaio.
    A discussão visa entender a cultura política e militar da região; pensando, sobretudo, nos diálogos entre o elemento espanhol, português e, posteriormente, brasileiro, bem como dos novos grupos articulados no bojo das guerras de independência.
    Os embates políticos e a diversificação dos interesses desses grupos levará à ruptura, justificando o conflito armado e, dando margem ao processo de dominação e resistência que marcará as relações entre o Império brasileiro e as elites dissidentes da região do Prata.


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  • Edneila Rodrigues Chaves
    Projetos de dominação na construção do sistema político do Brasil (Século XIX)
    Este artigo trata da atuação de grupos dominantes – proprietários territoriais, escravistas e mercantis – no sistema político do Brasil, primeira metade do século XIX, à luz de conceitos gramscianos. Considerando essa sociedade de caráter classista, observam-se formas de organização das classes sociais em nível nacional, região sudeste, e em nível local, Rio Pardo. As classes e frações dominantes disputaram a hegemonia de seus projetos, que se confrontavam na sociedade civil e na sociedade política. Elas buscaram reafirmar interesses de grupos e assegurar o domínio na sociedade, com destaque de grupos que foram formuladores e executores de um projeto de direção para o País. A partir das relações de classes, tem-se compreensão melhor do exercício de poder e da constituição do sistema político do período.
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  • Magno Fonseca Borges
    Francisco Peixoto de Lacerda Werneck e a identidade administrativa da plantation cafeeira.
    A ocupação econômica e demográfica da bacia do Paraíba Fluminense e os processos sociais que desencadearam ali uma das mais intrigantes epopéias da história brasileira, a rápida intensificação da cultura cafeeira, ainda encontram lugar para o desenvolvimento de pesquisas. Implantado a partir das primeiras décadas dos oitocentos, já em 1835, com base na crescente do tráfico atlântico de gentes, o café figurou como o principal produto de exportação do Brasil, o que também significou a afirmação de seus fazendeiros como importantes atores no processo de concretização do Estado Imperial. Aos passos do avanço dos cafezais sobre outras culturas (como a cana de açúcar), bem como pelo desbravar de novas áreas, fazendo ir ao chão uma grande porção de floresta virgem, entalhava-se um estatuto moral, que teve como tronco a trajetória de negociações e disputas, edificadas nas relações tecidas por senhores e escravos, na administração da propriedade agrária. Deste estatuto forjou-se uma proposta de gestão da unidade produtiva, materializado na Memória sobre a fundação de uma fazenda na província do Rio de Janeiro escrita em 1847 por Francisco Peixoto de Lacerda Werneck para explicar ao filho os mais triviais usos e costumes de nossa agricultura.
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05/08 - Terça-feira - Tarde (14h às 16h)
  • Leandro Braga de Andrade
    Comércio regional e hierarquia social em Minas Gerais no século XIX.
    A partir da constituição de um mercado interno que conectava diversas regiões do centro-sul do Brasil, na primeira metade do século XIX, que pode ser compreendido o papel do comércio regional nas articulações mercantis e também no estabelecimento da hierarquia social em nível local. Em Minas Gerais, a capacidade de acumulação do setor esteve presente também em praças mercantis de importância regional, que se dedicavam ao comércio de produtos da região e importados, além de escravos, destinados às fazendas de produção de alimentos e aguardente.Em Mariana, antiga região mineradora da área central da província, um grupo de grandes comerciantes articulava a circulação desses produtos e do controle do crédito informal, lhes conferindo certo prestígio. Apesar da existência de grandes fazendeiros escravistas nos distritos rurais do termo, era na vila que viviam os principais negociantes. A análise das Relações de Casas de Negócio do ano de 1836, das listas de habitantes das décadas de 1820 e 1830, de inventários post mortem e de registros de escravos na polícia da corte do Rio de Janeiro demonstraram manutenção no tempo do investimento no setor comercial, conciliado, muitas vezes, com a aquisição de imóveis na cidade e de bens agrícolas (terras e escravos).
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  • Saulo Santiago Bohrer
    Mercado de Seguros no Rio de Janeiro Joanino
    A presente comunicação tem por objetivo analisar a construção do mercado de seguros no Rio de Janeiro no período de montagem da Corte de D. João VI no Brasil. Assim, faremos o balanço das transformações econômicas oriundas de tal conjuntura histórica, mostrando os interesses do homens de Negócios da cidade no bojo daquele momento.
    Serão analisados os gráficos das trajetórias dos capitais envolvidos nas principais Companhias de Seguros da cidade, bem como as conexões estabelecidas pelos agentes do comércio nas diversas atividades econômicas e politicas.

  • Gilmar Machado de Almeida
    O mapa do Abastecimento de Água: a instalação e a expansão dos serviços de abastecimento de água na cidade do Rio de Janeiro entre os século XVI e XIX.
    Os serviços de abastecimento de água da cidade do Rio de Janeiro, desde a sua fundação no século XVI até o final do século XIX, passaram por três modelos de acesso: o primeiro ocorreu com o recolhimento de água direto dos rios, inicialmente o rio Carioca foi a principal fonte a suprir a cidade com água. O segundo modelo tem como marco a construção de diversos aparelhos públicos (Chafarizes e bicas) destinados a fornecer de água, vale ressaltar que nesse recorte, o fornecimento de água se aproxima do núcleo da cidade. Por último, o fornecimento direto as residências através de penas d’água.
    O objetivo deste trabalho é apresentar através de analise da representação cartográfica como estes modelos de acesso água se desenvolveram sobre território da cidade do Rio de Janeiro. A partir daí, podemos apontar como o acesso à água está diretamente relacionado à expansão da malha urbana da cidade do Rio de Janeiro. É possível também, analisar como o crescimento urbano da cidade, ao longo dos séculos trouxe enormes prejuízos para a natureza fornecedora da água da cidade.

  • Gustavo Alves Cardoso Moreira
    Política partidária e pré-indústria no Brasil monárquico: o caso da Imperial Companhia Seropédica Fluminense
    A Imperial Companhia Seropédica Fluminense, empresa pré-industrial voltada para a produção de seda na província do Rio de Janeiro, foi fundada por José Pereira Tavares, advogado gaúcho radicado em Itaguaí. Ainda na década de 1830, Pereira Tavares adquiriu terras naquele município, que empregou na plantação de amoreiras, espécie cuja folha é o único alimento do bicho-da-seda. Após enfrentar dificuldades derivadas da falta de investimentos, tecnologia e experiência administrativa, o estabelecimento se tornou uma sociedade por ações, patrocinada pela província e protegida pelo imperador. Entretanto, a eliminação das benesses políticas que viabilizaram a constituição do capital da empresa, a expansão das terras cultivadas, a construção de instalações produtivas e a compra de máquinas levaria, nos anos 60, à decadência e ao encerramento de suas atividades.
  • Beatriz Pìva Momesso
    Em Defesa do Trabalhador Asiático : o projeto do Barão de Mauá para a imigração de coolies.
    O debate travado entre políticos do Império, após 1850, refletia a preocupação acerca da possibilidade de conquista de direitos civis por parte de trabalhadores estrangeiros. A partir do Projeto do Barão de Mauá em defesa da imigração de trabalhadores asiáticos, destacando-se os chamados coolies, datado de 1876, pretende-se tornar visível alguns dos vários argumentos econômicos e ou raciais que permearam a discussão, bem como os interesses particulares de personagens participantes do cenário político do Rio de Janeiro, como o próprio Mauá.
    A comunicação também objetiva fornecer pistas sobre o que os integrantes do bloco dirigente do Estado Imperial entendiam por cidadania no início da segunda metade do século XIX.

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06/08 - Quarta-feira - Manhã (10h às 12h)
  • Hebe Mattos
    Jongos, Calangos e Folias. Música Negra, memória e poesia.
    O filme Jongos, Calangos e Folias: Música Negra, memória e poesia é um texto historiográfico áudio-visual constituído a partir do projeto de documentação e pesquisa Memória e Música Negra em comunidades rurais do Rio de Janeiro, desenvolvido pelo Laboratório de História Oral e Imagem (LABHOI/UFF) e o Núcleo de Pesquisa em História Cultural (NUPEHC/UFF) da Universidade Federal Fluminense, sob coordenação de Hebe Mattos e Martha Abreu, com o apoio do Edital Petrobrás Cultural/2005. Coloca em diálogo memória e história da última geração de africanos chegada ao Rio de Janeiro na primeira metade do século XIX para trabalhar nas plantações de café do Vale do Paraíba. Propõe uma reflexão histórica sobre a poesia presente em jongos, calangos e folias de reis, conforme essas manifestações são praticadas ainda hoje por muitos dos descendentes daqueles últimos escravos. Para tanto, a história cultural dos jongos, calangos e folias é apresentada articuladamente à história social dos grupos que as praticam. A narrativa coloca ainda em destaque a circularidade cultural entre as manifestações, e o papel da poesia negra na afirmação do jongo como patrimônio cultural brasileiro e na legitimação política das comunidades remanescentes de quilombo do estado do Rio de Janeiro.
  • Michel Mendes Marta, Nathalia Topini Lucas, Rafael Cupello Peixoto
    ProAfrica Acervo Digital Angola-Brasil
    Projeto financiado pelo CNPq/Edital Pró-África 2006, com vigência de dois anos, para digitalizar e permutar um acervo digital de 50.000 imagens de documentos pertencentes ao Arquivo Histórico de Angola-AHA e ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro-IHGB, relativos a História da África e da Escravidão Atlântica. A coordenação geral do projeto é da Profa. Mariza de Carvalho Soares e o projeto está sendo executado no IHGB, com bolsistas PIBIC da UFF, sob a supervisão da Profa. Regina Wanderley.
    No ano de 2007 o projeto cumpriu as seguintes atividades: a) digitalização da coleção de Angola (25.000); b) digitalização da coleção do Brasil (18.000); c) revisão do Guia de Fontes do IHGB para a documentação relativa a África; e d) transcrição de documentos raros do século XVII.
    Para o ano de 2008 estão previstas as seguintes atividades: a) complementação da digitalização do Brasil (7.000); b) identificação dos códices digitalizados em Angola para elaboração de um guia preliminar; c) transcrição de documentos raros do XVII; e d) preparação de um número da Revista do IHGB com resultados do projeto.



06/08 - Quarta-feira - Tarde (14h às 16h)
  • Camilla Agostini
    Construção da paisagem e o uso dos espaços por africanos e afrodescendentes no complexo cafeeiro do século XIX
    Este trabalho tem como objetivo analisar a atuação de africanos e afrodescendentes em espaços estruturais e liminares no contexto das fazendas de café e seus arredores, no Vale do Paraíba do século XIX, como forma de observar as margens de autonomia de escravos, no que diz respeito à construção e significação da paisagem onde se viveu. Para tal será analisada uma série de processos crimes, entre os anos de 1820 e 1880, como forma de estabelecer uma aproximação ao cotidiano de escravos e sua experiência no cativeiro.
  • Rachel da Silveira Caé
    Escravismo e liberdade na região sul do Brasil oitocentista
    O tema geral do projeto é o processo de perda de legitimidade da escravidão no Brasil ao longo do século XIX, através da análise das regiões de fronteira. Para isso analisamos as interpretações da lei de 7 de novembro de 1831, ocorridas na segunda metade do século XIX, e sua extensão aos casos dos escravos que ultrapassavam a fronteira com o Uruguai e retornavam ao Brasil, entendendo as situações e problemas que o Império precisou enfrentar para promover a manutenção da ordem escravista na região sul. Ao analisarmos a escravidão nesta região, não podemos deixar de considerar o fato de ser esta uma área fronteiriça. A integração desses territórios envolvia o trânsito de escravos pela fronteira, mas apesar desse intenso intercâmbio tratavam-se de países diferentes, cada um com legislações próprias, quando a escravidão deixa de ser legítima em um deles continuando a ser no outro problemas diplomáticos tendem a ocorrer. As informações adquiridas com esse estudo nos ajudam a ter uma maior visualização do papel da escravidão na política externa do Brasil no século XIX, além de possibilitar a identificação de quando e em que circunstância ocorreu uma nova interpretação da lei de 1831 e o grau de interferência que ela teve na vida dos escravos que entraram em contato com esse recurso.
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  • Thiago de Souza dos Reis
    Doença e escravidão: Vassouras, 1865-1888.
    o presente trabalho tem como objetivo realizar o levantamento das principais causas de mortalidade da população escrava da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Vassouras entre os anos de 1865 e 1888. Para isso tomamos como fonte para análise o Livro de Óbitos de Captivos da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Vassouras. Como conclusões, percebemos que as causas de morte relatadas nas atas de óbitos da freguesia não são tão objetivas, foi recorrente o termo genérico “moléstia interna”. Entre as causas de morte melhor definidas, se destacam as doenças infecto-parasíticas, praticamente para todos os quadros analisados, e entre estas a tuberculose, que foi mais mortal para mulheres do que para homens. Em consonância com a historiografia, concordamos que a dinâmica de mortes por doenças infecto-parasíticas, provavelmente, é decorrente da soma de inúmeros fatores, como a falta de higiene dos locais de habitação, a dieta deficitária em nutrientes essenciais e à carga de trabalho exaustiva. Fugindo à regra, o grupo dos escravos com cinqüenta anos ou mais apresentou como principal causa de seu falecimento as doenças do sistema circulatório, provavelmente em decorrência da exigência do mesmo ritmo de trabalho dos mais jovens.
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  • Keila Grinberg
    Senhores sem escravos: as ações de escravidão no Brasil Imperial
    A comunicação pretende contribuir para a exploração das práticas de re-escravização na região do Vale do Paraíba do século XIX, suas possibilidades efetivas e os significados a este processo atribuídos pelos diversos agentes sociais envolvidos. A partir da análise de ações de escravidão , processos em que o senhor acusa um suposto escravo de pretender ser livre, argumento que os senhores envolvidos em tais práticas eram senhores de poucas posses; em um contexto de alta do preço dos cativos, o recurso à Justiça era, provavelmente, a única maneira de tentarem reaver as propriedades que consideravam suas
  • Iamara da Silva Viana
    Morte de escravos, forros e livres na Vassouras Oitocentista: uma análise comparativa (1840-1870).
    As condições de morte, expectativa de vida e os infortúnios de escravos e libertos nos possibilitam adentrar na própria questão da vida, ou mais especificamente, nos anos finais de vida de tais indivíduos. Numa sociedade escravista, podemos observar a hierarquia social presente no “bem morrer” não apenas entre os escravos, mas também entre os livres e os forros. Nosso objetivo neste trabalho, é apresentar uma análise comparativa entre as condições de morte de escravos, forros e livres no período de 1840-1870, em Vassouras. Esta que foi durante os anos de 1820 e 1880 um importante produtor de café brasileiro, contribuindo para importantes modificações a partir da chegada de escravos negros. Fato que alterou padrões sociais, políticos e econômicos. Tal análise tem como finalidade contribuir para os estudos em escravidão, privilegiando as condições de morte na sociedade escravista da Vassouras Oitocentista.


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07/08 - Quinta-feira - Manhã (10h às 12h)
  • Renata Franco Saavedra
    O papel do boato na História
    O presente trabalho se propõe a pensar o efeito dos boatos em movimentos sociais, julgando que a historicização de tal fenômeno, deslegitimado em seu contexto produtor e também pela tradição historiográfica, é instrumento fundamental na tentativa de compreensão de grupos sociais passados e suas dinâmicas. Tendo como arcabouço teórico de partida a chamada teoria do rumor, aliada a uma análise da sociedade pernambucana oitocentista, pretende-se demonstrar, a partir de um estudo de caso – a Guerra dos Marimbondos –, a pertinência da relação entre boato, atuação/pensamento social e manifestação político/cultural, além da importância de tais ligações no dialético processo de construção da cidadania brasileira (principalmente no que diz respeito à função social do Estado) e reprodução do pacto social que marca o século XIX.
  • Priscilla Leal Mello
    Ser escravo muçulmano no Rio de Janeiro
    Abordagem do cotidiano dos escravos muçulmanos na Corte nas primeiras décadas do século XIX. O presente trabalho versará, sobretudo, sobre a discussão das possíveis identidades tecidas no contexto da escravidão, seguindo as brech as do sistema no que se refere às possibilidades de ler e escrever no Rio de Janeiro daqueles tempos. Trabalharemos com os Anais da Devassa do Levante Malê na Bahia, em 1835; com As religiões do Rio, de João do Rio; e com textos de viajantes muçulmanos que por aqui aportaram na segunda metade do XIX. Nesta oportunidade, ampliaremos a abordagem para outras regiões do Império do Brasil onde esses muçulmanos também estiveram. Referimo-nos, neste caso, a Alagoas e ao Estado da Bahia, focalizando as regiões de Salvador e do Recôncavo.
  • Iza Terezinha Goncalves Quelhas
    Quando a história se escreve no romance: Malvados mortos (nascidos no Brasil)
    O objetivo deste trabalho é o de analisar as relações entre a história e a literatura, a partir do livro Malvados mortos (na ficha catalográfica ‘Literatura Brasileira’, sendo a rubrica da coleção é ‘História’; 2001), de João Luiz Duboc Pinaud. O autor escreveu “a história em forma de romance”, a trama gira em torno da rebelião ocorrida em 1838, em Paty do Alferes (RJ), liderada por Manoel Congo, condenado e morto pela ação da Guarda Nacional. A matéria histórica se apresenta no modo como é narrada e nas escolhas de consciências narrativas. Numa entrevista, Robert Darnton, ao explicitar os elos entre história social e história cultural, afirma que a história é tentativa de entrar em contato com ‘almas mortas’ (DARNTON, 1994), ler o mundo dito ‘real’ na escrita romanesca, modo de operacionalizar os elos entre história e literatura na trama de Malvados mortos.
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  • Priscila Ferreira Bento Sousa
    “Você na sua terra tem negros?” Comunidade escrava, negociação e conflito nas senzalas de Vassouras (1822 – 1850).
    O objeto deste estudo é a ação das comunidades escravas observadas nas fazendas da vila de Vassouras. Além de ser o período inicial do Império, é também um momento crucial para esta localidade que sofreu intensas modificações sociais devido à aceleração da plantation cafeeira além da introdução de novos braços escravos para o trabalho. A partir do exame dos processos de homicídios e ofensas físicas de escravos contra seus senhores, familiares ou administradores, espero observar a reconstrução de uma identidade cativa como possível forma de posicionamento frente a seus senhores agregada à negociação cotidiana entre os grupos. Para tal, utilizo o processo de ofensas físicas aberto em 1844 ocorrido em um dos grandes plantéis de Vassouras: a Fazenda do Retiro propriedade do capitão Marcelino José de Avelar. Optei por observá-lo neste momento, pois, além de ser uma propriedade já estabelecida, as informações encontradas revelam parte de um cotidiano que ao serem confrontadas com seu respectivo inventário amplia as possibilidades de análise.
  • Thiago Campos Pessoa Lourenço
    Entre Memórias e Histórias: O tráfico ilegal de africanos nas fazendas da família Breves
    O presente trabalho pretende analisar as memórias acerca da experiência escravista nas antigas fazendas da família Breves, sobretudo as que se relacionaram com o comércio ilegal de escravos. As lembranças reconstruídas nessas áreas pelos atuais moradores, quando cotejadas com a documentação de época, nos informam importantes indícios sobre os últimos desembarques de africanos no Império do Brasil. Nesse sentido, acompanharemos as lembranças dos moradores das antigas fazendas da família Breves, sobre a vinculação das antigas propriedades de Santa Rita do Bracuí, e do complexo da Marambaia, com o tráfico ilegal de africanos. Por último, buscaremos uma aproximação efetiva com tais eventos, procurando rastrear alguns desembarques ilegais de escravos que envolveram diretamente os Comendadores Joaquim Breves, e seu irmão José de Souza Breves, e as suas respectivas fazendas no litoral sul fluminense.



07/08 - Quinta-feira - Tarde (14h às 16h)
  • Camila Belarmino
    O “reencontro do Brasil”: análise do projeto colonizador do Estado Novo através das páginas da Revista de Imigração e Colonização.
    Com o objetivo de povoar diversas áreas do território brasileiro, o Estado Novo, instaurado em 1937, implantou diferentes projetos de colonização sob a orientação do Conselho de Imigração e Colonização. Tais projetos realizados em meio às diversidades sócio-culturais das regiões do Brasil, buscavam atender as demandas de uma política nacionalista, ou seja, da construção de uma identidade e território nacionais. Desta maneira podemos observar que povoamento e territorialidade constituem aspectos fundamentais para a conformação da nação brasileira. Através da análise dos artigos da Revista de Imigração e Colonização é possível compreender onde e como se estabeleceram os projetos colonizadores, seus objetivos e resultados. Também podemos examinar os discursos relativos à colonização e imigração presentes nas páginas do periódico a fim de entender melhor a dinâmica entre as idéias expostas e a implantação destes projetos.
  • José Ricardo Ferraz
    As redes de poder tecem a instalação da 1ª indústria têxtil em Valença, RJ: Política e Sociedade – 1890/1920
    A pesquisa busca identificar as relações de poder entre elite valenciana e a Câmara Municipal, viabilizadoras da instalação da 1ª indústria têxtil na cidade. Investigaremos os mecanismos de contato dos mais expressivos agentes políticos locais no período mencionado. Os primeiros industriais valencianos participavam de uma densa rede de interesses políticos e econômicos não limitados à cidade; sua área de influência se estendia também ao Rio de Janeiro. Assim, privilegiaremos o processo como resultado das forças políticas facilitadoras para a industrialização valenciana. Buscamos, também, estabelecer uma revisão historiográfica sobre Valença e o Vale paraibano fluminense, visando enriquecer a produção historiográfica da região.
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  • Alexandre Macchione Saes
    Industrialização e política local: constrangimentos na expansão da Companhia Nacional de Tecidos de Juta no início do século XX
    O artigo trata dos conflitos enfrentados pelo empresário carioca Jorge Street na formação da Companhia Nacional de Tecidos de Juta no início do século XX. Aliado dos poderosos empresários Eduardo Guinle e Cândido Gaffrée, enquanto Street conquistava o controle sobre a produção dos sacos para a exportação de café, monopolizando o setor, políticos como Alfredo Ellis e empresas como a canadense Light buscaram combater tamanho poder adquirido pelo industrial. Se de um lado, o discurso de Ellis se filiava ao dos produtores de café, alegando o encarecimento dos custos com os sacos após a concentração da produção nacional, de outro lado, as acusações da Light refletiam um rol maior de conflitos empreendidos entre a companhia canadense e os empresários aliados de Street, também diretores das empresas Guinle & Co., Docas de Santos e Companhia Brasileira de Energia Elétrica. Com embates nos jornais e nas instituições políticas, a resolução de tais conflitos dependia da relação entre os empresários e os políticos locais. E ainda, mesmo concentrando a produção, a Companhia Nacional de Tecidos de Juta acabou enfrentando constrangimentos diante o controle da Light sob a produção de energia na cidade de São Paulo, setor estratégico para a expansão industrial.
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  • Lauro Allan Almeida Duivoisin
    O Sindicato Arrozeiro do Rio Grande do Sul: atuação de classe e política econômica estadual na crise da Primeira República
    O trabalho visa o estudo de alguns aspectos da reconfiguração das alianças entre os grupos dominantes do Rio Grande do Sul durante a chamada crise da República Velha. Para isso será enfocada a criação do Sindicato Arrozeiro do Rio Grande do Sul, uma agremiação dos principais produtores e comerciantes de arroz da região que associavam-se em cartel para valorizar o produto nos mercados, num momento de ascenção da concorrência inter-regional. A inserção desse evento no contexto de fracionamento do bloco dominante durante a Guerra de 1923 e sua reorganização consolidada na Revolução de 1930, demonstra a importância de um novo modelo associativo aplicado no Estado rio-grandese na segunda metade da década de 20. As articulações para a construção do Sindicato Arrozeiro e a sua atuação colocam em relevo a importância das negociações entre os diversos grupos dominantes municipais e a aplicação de um modelo de organização tutelado e apoiado pelo governo. Tal formato seria explicitamente defendido por Vargas a partir de 1928, quando ascendeu à presidência do Rio Grande do Sul, numa ação que remete à genese do corporativismo da década de 1930.
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